quarta-feira, 30 de junho de 2010

Saudade é pouco como fome.

Ninguém consegue imaginar a falta que você me faz... Mesmo depois de tanto tempo, ainda consigo ver o reflexo que seu cabelo fazia quando se encontrava ao sol. Ainda consigo ver o brilho dos seus olhos quando eles se encontravam aos meus. Consigo ter a sua imagem intacta deitado na minha cama, ou então recostado na porta fumando seu simples cigarro. E eu simplesmente, não consigo me acostumar com a idéia de você não estar mais ao meu lado. Queria que soubesse o quanto sinto sua falta, e meus textos sempre terão um ponto de encontro com você. Porque quando precisava de apoio, você era minha base. Quando precisava sorrir, era pro seu quarto que eu ia. Até mesmo quando não queria nada, apenas o seu abraço me bastava. O soar da sua voz, me acalmando e dizendo exatamente o que eu precisava ouvir. Você tinha o dom de fazer os simples momentos se tornarem os melhores. Ah, como eu sinto a sua falta.
E o que é mais bobo é que ainda entro no seu quarto toda vez que chego em casa, na esperança de tudo ter sido um pesadelo e que na verdade você ainda esta lá, deitado, olhando pro relógio, controlando minha hora de chegada. E ao me ver dava aquele abraço preocupado, seguido por um suspiro aliviado. Como anseio em sentir esse abraço novamente. Eu sinto tanto a sua falta, até de quando você tomava banho com seu perfume, fazendo o cheiro tornar-se insuportável.Tinha ódio daquela sua mania de estar sempre me contrariando, ou então, rindo de mim. Hoje, quero você aqui de qualquer jeito. Lembro que me prometeu que seríamos nos dois a vida inteira, eu sei que você está comigo, mas não consigo ver seu rosto, não consigo ouvir sua voz, isso me aperta tanto, tenho medo de um dia esquecer seu timbre, ou a luminosidade dos seus olhos. E todos me disseram que um dia a dor vira saudade, mas não vira. Você apenas se acomoda com a mesma, sem perceber a diferença.
E agora sou só eu, olhando pros lados, sentindo o vento, o teu vento, e sendo iluminada pelo sol, o teu sol. E o meu coração sempre vai te levar, não importa onde esteja.

domingo, 13 de junho de 2010

Uma conversa, um café.

Querido amigo, me traga um café. Vou bater uma prosa com o coronel. Tô é com uma vontade de correr a cidade. Acordei com aquela ânsia de ver tudo a pé.
Andei um pouco e me deparei numa casinha bem simples. Gritei e me atendeu um velho desdentado, seu Zé, ô cabra bom, contei um pouco da minha vida, e do que pretendo fazer.
Seu Zé me disse que de escritor já basta os do jornal, falou que sou um baita d'um sonhador, e disse também que assim não pode ser. Dona Miralva concordou com o marido. Mas de que adianta ouvir dois ignorantes? Não sabem ler, nem escrever. Passaram foi por uma vida dificil, dona Miralva deixou a família, a cidade natal e se ajuntou com seu Zé. Tiveram Carlinhos e Luisinho, duas pestes. Um mais o outro da aquela dor de cabeça.
Na casa do lado tinha o viúvo, seu Claúdio, aquilo lá é lugar de gente muito pobre e sofrida. Cada um tem sua história. Bora meu amigo, prepara esse café. Não dá pra chegar com atraso na casa do coronel.
Praquele povo ninguém olha, talvez se for eu mais o coronel, as coisas mudem.
Ora pois, pois. Por que me preocupo tanto? Pra ver minha gente de cara lavada e feliz. Tudo bem, tudo bem. Assumo, quero é mostrar pro seu Zé que não sou tão sonhador como ele pensa, quando ver o coronel o olho do danado vai até brilhar.
Eu vou é ficando por aqui, antes que o bonde saia e eu acorde com aquela roncadeira danada que só. Até mais, caro amigo. Se cuida.

Despertar da meia noite

O relógio bateu, fazendo aquele corpo estremecer, sentia-se de longe as pulsações em seu peito. A rosa desabrochou. O velho comentou, a moça também olhou. A menina então chorou.
Fora repentina aquela passagem. O relógio parou de soar. Instantâneamente o velho continuou a ler, e a moça correra. Tudo voltava ao movimento. Em súbito, aquele corpo se agachara com a rosa na mão. Segurando-a com força, pressionando o espinho contra a pele.
Seu sangue, que agora saia aos poucos, se misturava com a dor e com as lágrimas.
Seu interior era o vasto mundo que nenhum ali podia interpretar, ela escondia seus olhos, para não transbordar mais sangue.
O trem então saiu, e ela se levantou. Olhava pros lados, mas nada encontrava, suspirou e seguiu em frente. Cumprimentando então o velho que a encarara tempos antes. Mostrou a ele o sorriso da dor.
O mesmo então encarou a rosa e a gota de sangue, presente na mesma. Sorriu à menina, e seus olhos se fixaram em um ponto. Lembrando-se de anos atras, quando fora obrigado a deixar uma rosa bem parecida com aquela, no túmulo de sua falecida esposa. Dera o mesmo sorriso pesado. Imediatamente, seus olhos se encheram de lágrima. E com grande pesar disse a um jovem sentado a seu lado: E esse foi o despertar da meia noite. O menino não compreendeu, e aquele senhor correu pra pegar o trem. Dando continuidade a vida.
Olhando para baixo, estava a pétala que caiu da rosa, no momento que a menina passava. A mesma, se prendeu ao chão daquela triste ferrovia, deixando a marca de mais um amor perdido no soar da meia noite.

Nem por um segundo...


Da minha janela não consigo ver nada, o céu está azul, as nuvens como algodão doce. Mas dentro de mim, o frio se apossa. Não sinto meu coração, e num intenso momento, nada mais faz sentido. Talvez realmente seja muito tarde, ou não. Adoro dizer que tudo é relativo, mesmo duvidando da relatividade deste momento. Odeio quando você tenta ser meu pai, brigando comigo por qualquer razão boba. Sempre me dizendo o que é certo ou errado, me olhando intensamente.
Você tem o dom de colocar-me num presídio dentro do seu olhar. Me aprisiono aqueles dois circulos brilhantes e mágicos ao meu ver. Da sua boca, sai aquela irritante voz serena, balançando mais esse turbilhão de emoções, que já se fazem constantes na minha vida. Você me coloca no seu colo, e me diz que sou sua. Mas a verdade é que você nunca foi meu.
Agora começo a caminhar no meu quarto, revendo nossas fotos com as brincadeiras mais particulares. Meus olhos se enchem de lágrima, e meu peito está pulsando para fora do meu corpo. Dando-me uma súbita sensação selvagem de bagunçar meu cabelo, rasgar aquela roupa que agora me sufoca, e gritar tão alto pra você poder ouvir o quão repugnante é pra mim.
Me viro pra o espelho e penso em como você é desprezível e covarde. Você sempre teve medo de me surpreender, sempre teve medo de se entregar. E eu, ingênua, te dei aquele órgão que hoje está apertado e chorando... Te dei o que me torna viva, sem querer nada em troca.
As lágrimas fogem do meu rosto, recosto meu corpo na cama, repugnando esse sentimento. Respiro fundo, e me veio a cena em que Kat lia sua poesia para Patrick Verona, frizando apenas a última parte: "Mas eu odeio principamente, não conseguir te odiar, nem um pouco, nem mesmo por um segundo.. Nem mesmo só por te odiar."
E seu rosto aparece como um fantasma, trazendo em súbito aquela estranha sensação, então viro pro lado e repito pra mim mesma: Nem por um segundo...