
Da minha janela não consigo ver nada, o céu está azul, as nuvens como algodão doce. Mas dentro de mim, o frio se apossa. Não sinto meu coração, e num intenso momento, nada mais faz sentido. Talvez realmente seja muito tarde, ou não. Adoro dizer que tudo é relativo, mesmo duvidando da relatividade deste momento. Odeio quando você tenta ser meu pai, brigando comigo por qualquer razão boba. Sempre me dizendo o que é certo ou errado, me olhando intensamente.
Você tem o dom de colocar-me num presídio dentro do seu olhar. Me aprisiono aqueles dois circulos brilhantes e mágicos ao meu ver. Da sua boca, sai aquela irritante voz serena, balançando mais esse turbilhão de emoções, que já se fazem constantes na minha vida. Você me coloca no seu colo, e me diz que sou sua. Mas a verdade é que você nunca foi meu.
Agora começo a caminhar no meu quarto, revendo nossas fotos com as brincadeiras mais particulares. Meus olhos se enchem de lágrima, e meu peito está pulsando para fora do meu corpo. Dando-me uma súbita sensação selvagem de bagunçar meu cabelo, rasgar aquela roupa que agora me sufoca, e gritar tão alto pra você poder ouvir o quão repugnante é pra mim.
Me viro pra o espelho e penso em como você é desprezível e covarde. Você sempre teve medo de me surpreender, sempre teve medo de se entregar. E eu, ingênua, te dei aquele órgão que hoje está apertado e chorando... Te dei o que me torna viva, sem querer nada em troca.
As lágrimas fogem do meu rosto, recosto meu corpo na cama, repugnando esse sentimento. Respiro fundo, e me veio a cena em que Kat lia sua poesia para Patrick Verona, frizando apenas a última parte: "Mas eu odeio principamente, não conseguir te odiar, nem um pouco, nem mesmo por um segundo.. Nem mesmo só por te odiar."
E seu rosto aparece como um fantasma, trazendo em súbito aquela estranha sensação, então viro pro lado e repito pra mim mesma: Nem por um segundo...
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