
Querido amigo, me traga um café. Vou bater uma prosa com o coronel. Tô é com uma vontade de correr a cidade. Acordei com aquela ânsia de ver tudo a pé.
Andei um pouco e me deparei numa casinha bem simples. Gritei e me atendeu um velho desdentado, seu Zé, ô cabra bom, contei um pouco da minha vida, e do que pretendo fazer.
Seu Zé me disse que de escritor já basta os do jornal, falou que sou um baita d'um sonhador, e disse também que assim não pode ser. Dona Miralva concordou com o marido. Mas de que adianta ouvir dois ignorantes? Não sabem ler, nem escrever. Passaram foi por uma vida dificil, dona Miralva deixou a família, a cidade natal e se ajuntou com seu Zé. Tiveram Carlinhos e Luisinho, duas pestes. Um mais o outro da aquela dor de cabeça.
Na casa do lado tinha o viúvo, seu Claúdio, aquilo lá é lugar de gente muito pobre e sofrida. Cada um tem sua história. Bora meu amigo, prepara esse café. Não dá pra chegar com atraso na casa do coronel.
Praquele povo ninguém olha, talvez se for eu mais o coronel, as coisas mudem.
Ora pois, pois. Por que me preocupo tanto? Pra ver minha gente de cara lavada e feliz. Tudo bem, tudo bem. Assumo, quero é mostrar pro seu Zé que não sou tão sonhador como ele pensa, quando ver o coronel o olho do danado vai até brilhar.
Eu vou é ficando por aqui, antes que o bonde saia e eu acorde com aquela roncadeira danada que só. Até mais, caro amigo. Se cuida.
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